
Bem, chegou a época mais esperada do ano: O ANO-NOVO. Seria um exagero considerar uma época? Creio eu que não, pois ansiamos muito por esse dia que nos envolve com seu poder místico e supremo, nos fazendo roer as unhas já no início de novembro (ou meados, talvez). E, quando chega o grande dia, refletimos sobre o ano que passou: choramos, rimos, sofremos, amamos, odiamos, namoramos, compramos, estudamos, assistimos, fizemos de tudo um pouco e do pouco que fizemos, conseguimos dar vida ao ano que diz “adeus”, ao ano único e que jamais, JAMAIS se repetirá.
Mas, essa nossa comemoração do ciclo da vida possui raízes bem profundas, retomando ao período em que éramos apenas caçadores (não caçadores comuns, já tínhamos a crença em algo maior do que nós), quando descobrimos, ou melhor, inventamos o calendário. Sim, isso mesmo! Quando vivíamos em pequenas comunidades de 100 a 150 pessoas, caçando mamutes e bisões para sobrevivermos.
Pois bem, a invenção do calendário se deu devido à nossa necessidade de alimentação, ou seja, devido à nossa mudança (não completa, claro) de caçadores para agricultores (havia uma “crise” em relação a nossas caças: aquecimento global, na verdade, o fim de uma era glacial, a escassez de animais...). Assim, nós, sapiens como somos, começamos a cultivar sementes e esperá-las crescer, suprindo, pois, nossas preciosas calorias que nos mantiveram e mantêm vivos. Só que aí, deparamos com uma surpresa: essa técnica, a agricultura, permitia sustentar de 10 a 100 vezes mais pessoas no mesmo espaço físico. Os que optaram por esse caminho cresceram e se multiplicaram. Mas eles só conseguiram isso porque inventaram o novo deus: o calendário.
Na espera para as sementes crescerem e darem frutos, nós descobrimos um auspicioso método para saber as épocas corretas para se plantar: observar as posições das estrelas, ou seja, fazer a “leitura” do céu. E assim nasceu o controle do ciclo do tempo.
Mesmo assim, tratamos o céu como divindade e é por causa disso que temos nossos rituais de ano-novo, que é uma festa que marca o auge do frio no hemisfério norte. E, com o frio, havia a escassez de alimentos. Nós, como as formigas, estocávamos comida para enfrentar esses dias, estocávamos com a sensação de que algo superimportante estava acontecendo, surgindo o espírito do ano-novo, passado de geração para geração.
Mas, foi somente há 500 anos (sim, somente há míseros 500 aninhos) que o ano-novo se consolidou na maioria dos países, não possuindo uma data fixa até então.
A primeira celebração deste cunho que se tem registro ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2000 a.C., sendo conhecida como “Festival de ano novo” (Uau, que denominação mais criativa!!! rs). Na Babilônia, por exemplo, as celebrações começavam quando a lua nova indicava o equinócio de primavera no hemisfério norte e de outono no hemisfério sul, quando o dia e a noite possuem a mesma duração, pois a Terra se posiciona num ângulo em que os raios do sol coincidem com a Linha do Equador e blábláblá... E, como deve ter percebido, isso não ocorre em dezembro (não???), porém sim em 19 de março, quando se comemora o ano novo esotérico.
Persas e egípcios, por exemplo, comemoravam o ano novo em setembro, por volta do dia 23. Já os gregos, em dezembro (21 ou 22 de dezembro). Mas foram os romanos os primeiros a estabelecerem uma data fixa para a celebração do nascimento do novo ano: 1º de março, que foi mudado para como conhecemos hoje, 1º de janeiro. Em 1582, a Igreja adota o calendário gregoriano, consolidando a data da comemoração.
Ainda hoje, alguns povos e países celebram a virada do ano em datas diferentes, como é o caso dos chineses, que festejam o ano-novo nos fins de janeiro ou princípios de fevereiro de uma forma diferente da nossa, ocidentais. Por exemplo, eles colocam desejos escritos com tinta preta em tiras de papel vermelho na porta de entrada. O preto representa a água e a sabedoria; e o vermelho, o fogo e o sucesso.
Variando de cultura para cultura, todos nós comemoramos o ano-novo. Pulamos sete ondas ou comemos lentilhas ou fazemos piqueniques em praias ou queimamos efígies ou, ou, ou... Enfim, comemoramos a virada do ano, o nascimento de um novo ano das mais variadas maneiras, ansiosos pelas outras 365 (ou 366) novas chances que teremos.
Desejo a você e a todos um excelente ANO NOVO!!!
FELIZ 2013!!!
Obs.: Por que será que comemoramos o ano-novo, um novo ciclo, o nascimento de mais um ano com barulho de guerras??? Grande ironia, não?



























.jpg)


