domingo, 30 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!!! FELIZ ANO-NOVO!!!


Bem, chegou a época mais esperada do ano: O ANO-NOVO. Seria um exagero considerar uma época? Creio eu que não, pois ansiamos muito por esse dia que nos envolve com seu poder místico e supremo, nos fazendo roer as unhas já no início de novembro (ou meados, talvez). E, quando chega o grande dia, refletimos sobre o ano que passou: choramos, rimos, sofremos, amamos, odiamos, namoramos, compramos, estudamos, assistimos, fizemos de tudo um pouco e do pouco que fizemos, conseguimos dar vida ao ano que diz “adeus”, ao ano único e que jamais, JAMAIS se repetirá. 

Mas, essa nossa comemoração do ciclo da vida possui raízes bem profundas, retomando ao período em que éramos apenas caçadores (não caçadores comuns, já tínhamos a crença em algo maior do que nós), quando descobrimos, ou melhor, inventamos o calendário. Sim, isso mesmo! Quando vivíamos em pequenas comunidades de 100 a 150 pessoas, caçando mamutes e bisões para sobrevivermos. 

Pois bem, a invenção do calendário se deu devido à nossa necessidade de alimentação, ou seja, devido à nossa mudança (não completa, claro) de caçadores para agricultores (havia uma “crise” em relação a nossas caças: aquecimento global, na verdade, o fim de uma era glacial, a escassez de animais...). Assim, nós, sapiens como somos, começamos a cultivar sementes e esperá-las crescer, suprindo, pois, nossas preciosas calorias que nos mantiveram e mantêm vivos. Só que aí, deparamos com uma surpresa: essa técnica, a agricultura, permitia sustentar de 10 a 100 vezes mais pessoas no mesmo espaço físico. Os que optaram por esse caminho cresceram e se multiplicaram. Mas eles só conseguiram isso porque inventaram o novo deus: o calendário. 

Na espera para as sementes crescerem e darem frutos, nós descobrimos um auspicioso método para saber as épocas corretas para se plantar: observar as posições das estrelas, ou seja, fazer a “leitura” do céu. E assim nasceu o controle do ciclo do tempo. 

Mesmo assim, tratamos o céu como divindade e é por causa disso que temos nossos rituais de ano-novo, que é uma festa que marca o auge do frio no hemisfério norte. E, com o frio, havia a escassez de alimentos. Nós, como as formigas, estocávamos comida para enfrentar esses dias, estocávamos com a sensação de que algo superimportante estava acontecendo, surgindo o espírito do ano-novo, passado de geração para geração. 

Mas, foi somente há 500 anos (sim, somente há míseros 500 aninhos) que o ano-novo se consolidou na maioria dos países, não possuindo uma data fixa até então. 

A primeira celebração deste cunho que se tem registro ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2000 a.C., sendo conhecida como “Festival de ano novo” (Uau, que denominação mais criativa!!! rs). Na Babilônia, por exemplo, as celebrações começavam quando a lua nova indicava o equinócio de primavera no hemisfério norte e de outono no hemisfério sul, quando o dia e a noite possuem a mesma duração, pois a Terra se posiciona num ângulo em que os raios do sol coincidem com a Linha do Equador e blábláblá... E, como deve ter percebido, isso não ocorre em dezembro (não???), porém sim em 19 de março, quando se comemora o ano novo esotérico. 

Persas e egípcios, por exemplo, comemoravam o ano novo em setembro, por volta do dia 23. Já os gregos, em dezembro (21 ou 22 de dezembro). Mas foram os romanos os primeiros a estabelecerem uma data fixa para a celebração do nascimento do novo ano: 1º de março, que foi mudado para como conhecemos hoje, 1º de janeiro. Em 1582, a Igreja adota o calendário gregoriano, consolidando a data da comemoração. 

Ainda hoje, alguns povos e países celebram a virada do ano em datas diferentes, como é o caso dos chineses, que festejam o ano-novo nos fins de janeiro ou princípios de fevereiro de uma forma diferente da nossa, ocidentais. Por exemplo, eles colocam desejos escritos com tinta preta em tiras de papel vermelho na porta de entrada. O preto representa a água e a sabedoria; e o vermelho, o fogo e o sucesso. 

Variando de cultura para cultura, todos nós comemoramos o ano-novo. Pulamos sete ondas ou comemos lentilhas ou fazemos piqueniques em praias ou queimamos efígies ou, ou, ou... Enfim, comemoramos a virada do ano, o nascimento de um novo ano das mais variadas maneiras, ansiosos pelas outras 365 (ou 366) novas chances que teremos. 


Desejo a você e a todos um excelente ANO NOVO!!! 
FELIZ 2013!!!


Obs.: Por que será que comemoramos o ano-novo, um novo ciclo, o nascimento de mais um ano com barulho de guerras??? Grande ironia, não?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Have Yourself a Merry Little Christmas

And have yourself a merry little Christmas now


domingo, 23 de dezembro de 2012

Poemas ou poesia? Arte na Vida ou Vida n'Arte?


Que Vivamente Vivamos 


Não mais me sou!
Nem mais de mim preciso!
Faço o que não faço,
Não penso o que penso,
E, enfim, existo e não existo.

Frustração? Quiçá...
Não, não, nada de Frustração!
Que se viva, que...
Que vivamos intensamente!
Que vivamos vivamente!
Que vivamos e vivamos
Antes da Indesejada das gentes chegar!


Palavras-Morfeu

Sono, sonolência.
Acho que me visitou Morfeu!

Tuas palavras me atingem,
Envolvem-me,
Fascinam-me,
Me entorpecem e acalantam
Como Morfeu!

Ah, como teus vocábulos belos são!
Ah, tão belos! Tão biltres! Tão Morfeu!

Levaste-me



Vi-te ir à penumbra da morta noite e
Minha alma sumira com tua ausência.
Sem ti, minha vida padece em prantos
E meu pensar suicida na inconsciência.

Contigo, levaste face minha contente,
Deixando taciturno o crepúsculo frígido,
Furtando o sorriso infantil que ria
E turvando a água deste meu mar.

A este mar lançaras corpo já delgado meu,
Lançaras alma minha que sem ti não há,
E, subitamente, vi-te ir calmamente.

Deus, por que a levaras com âmago meu?
Padecerei eu assaz até a morte encontrar,
Mas, por que, Deus?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Carta a Papai Noel

Aproveitando o clima de Natal, escrevo uma carta para Papai Noel... Boas festas e boa leitura! ;)

       

         Querido Papai Noel, estou escrevendo para você, mesmo não acreditando realmente na sua existência. Mas, estou meio que desesperado e não sei a quem mais dizer, orar, falar e gritar; já orei para diversos deuses, muitos santos e para as mais diversas invenções humanas (ou não).
            Pois bem, em primeiro lugar, gostaria de criticar sua política de entregas de presentes na véspera de Natal (se ela existir de verdade, claro!). Como é possível você conseguir entregar a todas as crianças presentes em uma única noite por meio de um trenó puxado por renas voadoras? (gargalhei ao escrever essa asneira). Como você consegue atender a todos os mais estranhos e diferentes pedidos? E a fabricação dos presentes? Você que faz eles ou compra, rouba? (Não duvido de sua integridade, mas, nos dias de hoje, até bom velhinho é corrupto.). E por que você nos enche de coisas sem valor algum? Não seria muito melhor, com o seu poder natalino, dar vida ao milagre de Natal? Que tal deixar os brinquedos de lado e distribuir comida ou inteligência ou consciência? Não seria muito melhor? Ou você está envolvido com estas pessoas que passam por nossos governantes e com aquelas que dominam o nosso mundo (nosso??)? Então, por que não muda esta coisa idiota de brinquedinhos e coisa tal, Papai Noel?
            Mas, mesmo assim, acho que você deveria pensar um pouquinho mais (se você for concursado, será menos complicado, mas se for indicado por parentes ou amigos...) e mudar por completo essa sua política. Como deve saber, nós, crianças, não precisamos de muitas coisas, só precisamos do essencial e brinquedos não são essenciais! Nós somos AINDA, digo, a maioria AINDA é pura e estamos à mercê de nossos não puros pais (adultos). Aí está o X da questão: os adultos! São eles que precisam viver o Natal, que precisam relembrar que existem mais coisas além das porcarias que compram para tentarem loucamente se sentirem felizes ou menos infelizes. São eles que precisam de presentes, não nós. Por favor, não vá cometer a mesma burrice e distribuir os lixos que pedem (nós, homens – homens e mulheres, claro! –, não sabemos do que precisamos, porque ainda somos meros bebês psicologicamente). Dê a eles o que é de verdade; dê a eles consciência, inteligência, solidariedade, paz, retirando deles a ganância, a guerra e coisas tais. Deixo você dar a eles seus antigos brinquedos favoritos – talvez se lembrem de que um dia foram crianças, seres sonhadores e vivos! Faça isso, Papai Noel! Os adultos podem mudar com isso e, assim, nós, crianças, não sofreremos tanto, principalmente em relação a nossos pais!
            Falando em pais, agora tenho que ser egoísta. Vou fazer meu pedido de Natal! Por que você não faz mamãe mais feliz com papai e papai mais feliz com mamãe? Eles brigam tanto que dá medo! E sempre papai sai de casa com o carro, voltando só no dia seguinte. Mamãe chama o táxi e me leva junto ao shopping, me enchendo de sacolas com coisas que ela já tem aos montes. Papai e mamãe voltam para a casa com a mesma expressão no rosto: uma felicidade completamente triste. Me dá esse presente, Papai Noel! Quero ver meus pais felizes de felicidade feliz!
            Mas, como não sei se você existe, não vou esperar por essa coisa de milagre de Natal. E, se você existir, provavelmente está de mãos dadas com os corruptos e com os homens-demônios: vai me dar brinquedos e mais brinquedos! Pra quê? Pra quê?

Feliz Natal, Papai Noel,
de seu não tão crente, J.C., 11 anos!

OBS.: Por que você continua gordo? Não se rendeu ao que falam ser bonito? Com a grana que tem, poderia ser o que quiser! Isso me dá esperança de que você não é um vendido, Papai Noel, e torço para que não seja!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Com certeza, ele é!


Quando recebi a mensagem de texto de Tatiana, dizendo sobre o coquetel no próximo sábado, estava na Getúlio de Moura, retornando para casa depois de mais uma extenuante sexta-feira de trabalho. O SMS era o mais curto possível, só me lembrava da existência do evento e de nada mais. Liguei para ela ao chegar a casa a fim de saber onde era a tal festa, o horário e o seu motivo (Tatiana falou-me sobre o lançamento de um livro de um tal fulano) e, após um banho relaxante, adormeci. 

Marcamos nosso encontro às dezoito horas em frente ao Café de Paris, para então seguirmos ao coquetel de táxi. Nenhuma de nós duas gosta de dirigir e, afinal, beberíamos um pouco. Já no local da festa, Tatiana me deixa só e se mistura com o restante das pessoas que lá estavam a discutir sobre o livro do qual eu não conhecia nem o título. 

Fiquei alguns minutos no bar ou foram vários, não me recordo – o álcool já fazia parte de minha circulação sanguínea. Avisto Tatiana se aproximando sorridente, mas com um sorriso lascivo, que fez muitos homens que a observavam fantasiar. Descobri, então, o porquê daquela voluptuosidade toda, ela estava de mãos dadas com um homem (quase um deus grego), a quem me apresentou e, simplesmente, voltou a se perder por entre aquelas pessoas todas. 

Sozinhos estávamos. Ele se apresentou como Richard Jason, começando a falar. Porém os seus assuntos eram os mesmos que os meus, ou seja, ele falava coisas sobre o que passou na Fashion Police ou no Discovery Home and Health. Como eram objetos de meu mundo de entretenimento, continuei a conversa observando-o cada vez mais e percebendo seu jeito delicado de falar e gesticular (um deus grego afeminado? Não pode ser!). Enquanto ele citava os sucessos da vida das celebridades, me peguei pensando se ele era gay – com um nome daqueles, a mãe só deveria querer isso mesmo. 

“Ah, com certeza, ele é! Olha como ele está todo arrumadinho e lustroso (nenhum homem é tão vaidoso assim! Nem mesmo um deus)! Deve ter passado horas em frente ao espelho tentando ficar o mais belo possível para flertar com qualquer homem que lhe dê alguma piscadela.”. Foi o que pensei enquanto ele falava de algo importante para o mundo e o bem de todos. Novamente, ajuizei “Com certeza ele é gay. Está todo ‘purpurinado’. A Tati me paga! Onde já se viu isso? Eca!!!”. 

Richard prosseguia com nosso diálogo, enquanto eu imaginava o quanto nauseabundo ele era, apesar de ser um exímio arquiteto, morar numa cobertura em Botafogo, praticar tênis e de ainda contribuir com alguma entidade de caridade (seria perfeito, porém ele é gay!!!). Então, Tatiana se aproxima e, não sei a razão, ela simplesmente me puxa o braço, suplicando para irmos embora. Despeço-me do Richard Jason com um beijo em cada uma de suas bochechas e com um “até logo”. “Eca! Ele é gay!”, pensei. 

Tatiana nada me diz sobre o que ocorrera no salão, mas imagino que algum rapaz a tenha desrespeitado, como de praxes. Contudo, soube depois que foi devido a um incidente ao tentar defender um homossexual amigo seu (ela não suportou o modo como os seguranças o trataram, assim, ela deu início a um de seus faniquitos, dizendo que não ficaria nem mais um minuto sequer naquele recinto). “Aqueles trogloditas não entendem que há outras formas de amar. Um homem gostar de outro não significa que seja inferior ou superior. Arg! Na Grécia Antiga, isso não era assim! Tim Maia estava equivocado: homem dançando com homem e mulher, com mulher também pode!”, Tatiana desabafa comigo. 

Passados alguns meses do coquetel, minha amiga liga para mim, informando-me sobre o casamento de Richard Jason e de que fomos convidadas (nem fui simpática, pensei, deve ser coisa de gays). Fico boquiaberta. Como assim? Sendo ele budista, será que vai ser em um templo? Quis saber sobre tudo, não sendo ríspida, tanto é que fiquei sem o conhecimento do nome do cônjuge. Dois dias após, recebo o convite: “Richard Jason Souza Andrade e Maria Clara Aquino possuem o prazer de te convidar para o seu matrimônio...”.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os Poemas da Química Forense


Bem, todo poema é feito devido a algo. Mas os que fiz foram para me manter acordado durante um curso a que assisti. Também, o assunto era química forense, algo que me aguça a curiosidade, porém, saber sobre armas, a diferença entre um revólver e uma pistola e blá, blá, blá... são coisas inúteis para mim. 


 E, assim, não mais eu prestando plena atenção no curso, o papel na carteira e a caneta à mão. Não deu outra: comecei a escrever rapidamente (de forma quase ilegível), tentando acompanhar a velocidade de pensamentos meus. 

Deixo agora Os Poemas da Química Forense para vocês, poemas que me enlouqueceram quando não consegui encontrar o bloquinho de anotações onde foram escritos (desespero assustador).

Sei 

Quanto mais sei,
Mais sei que não sei.
E nesse saber eterno,
Sei, mas não sei;
Não sei e sei!
 talvez não sei por saber
O Não-saber eterno!

Adeus 

Adeus! Tchau! Vá!
Goodbye! Au revoir!
Ciao! Fu! Suma!

Não de ti preciso!
Por mim vivo!
Sei de pé ficar,
Sei de pé sonhar!

Vá! Suma! Desapareça!
Escafeda-se!
Adeus!
Adeus e de lá, lugar teu,
Não voltas tu de lá!

Narcisar 

Eu narciso;
Tu narcisas;
Ele narcisa;
E, assim, nós narcisamos! 

A paixão própria,
Cega e inconsequente!

Ah, que esplêndidas drogas somos!
Narcisos, Narcisos!
Ah, que belas bestas somos!
Narcisos a narcisar!
NARCISOS e nada mais!

Doido 

Não mais Insano do que eu há!
Sou o maior dos Loucos!
Louco de amor, de amor...
Louco, Doido!

Ah, como é bom ser
Pirado, Louco, Doido!
Como bom é ser Doido,
Louco, Insano, Pateta de...
Hm, de Amor! De AMOR!

domingo, 18 de novembro de 2012

Nem Romeu nem Julieta


amou Romeu à Julieta?
Julieta amou Romeu?

amor? Não, não, não há!
Não passa de uma invenção dos poetas;
Poetas de todas as épocas.
Não há amor nem algo parecido!
A tinta da caneta da história é de
Sangue, Morte, Guerras, Terror!
Não há espaço para amor!

amor materno?
Quiçá existe ele!
Somos apenas Bestas
À procura de Carne para nos saciarmos!
Não, nunca houve o amor!
Não, nunca haverá amor, AMOR, Amor ou qualquer coisa parecida.

Não me deixem amar


Que me tapem os olhos!
Que me amordacem a boca!
Que me ensurdeçam os ouvidos!
Que me queimem a pele!
Mas que não me deixem amar!

Açoitem minha carne,
Guilhotinem minha cabeça,
Enlouqueçam minha mente,
Mas não me deixem amar!

Que me matem, esquartejem,
Que me cuspam no túmulo!
Que de tudo façam a meu ser!
Só não me deixem de novo amar!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Forte Maria


Maria chegou à sua casa.

Viu filho drogado,

Filha prostituta,

Marido embriagado.

Maria se revoltou.

Maria, forte Maria, pegou da arma e se matou.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MARIA

Maria chegou à sua casa. 
Viu filho drogado,
Filha prostituta,
Marido embriagado.
Maria se revoltou:
Foi dormir.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Liberté


Assista. Não enxergue.
Compre. Consuma. Abarrote-se.
Siga. Obedeça. Cumpra.
Padronize-se. Iguale-se.
Sirva. Curve-se. Cale-se. Sujeite-se.
Defenda. Honre. Batalhe. Mate.
Trabalhe. Não pense.
Siga. Compre. E apodreça.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Vento da Vida

O vento vai
O vento volta
O vento veda a vida
A vida valoriza a volta
A volta vai
E nesse vai e volta,
A vida cai
E o vento vai, mas não volta.

Superlativo de Inferioridade

Lá vem o homem,
Lá vem o bicho homem!
Acha que tudo sabe,
Acha que tudo pode.
Todavia, apenas morre.
Todavia, somente se mata.
Suicídios graduais,
Suicídios coletivos,
Porém, mesmo assim,
Lá vai o homem, o proprietário da razão,
O ser mais tolo;
Lá vai o homem rumo à destruição!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sai da frente, que tem dono!

Bem, aqui vai mais uma de minhas crônicas. Espero que gostem.

Cinco e meia da manhã: o despertador ressona pelo quarto, lembrando-me de que hoje é mais um dia de ir ao trabalho, tentar transmitir um pouco de conhecimento para os jovens deste país. Pois bem, levanto-me, banho-me e tomo meu desjejum com meu marido, que, como sempre, está atrasado. Entre poucas palavras e mastigações apressadas, compartilhamos do nosso matrimônio. Mas já vão sendo horas e Marcus precisa ir e eu também, porém, antes me despeço de Ana, nossa filha. Descemos ao andar da garagem pelo elevador, sem resquício algum de conversa ou felicidade, nos dirigimos aos carros e, maquinalmente, despedimo-nos com um simples beijo e um “Vejo você mais tarde” insosso. 

Já na Rua Santa Clara, não tão distante de casa, deparo-me com uma cena comum: no semáforo, meninos e meninas, com seus frágeis bracinhos, tentam a arte do malabarismo com os mais variados tipos de objetos e frutas. Terminado o triste espetáculo, um dos garotos se aproxima: 

- Tia, me arruma um trocado. – entre um sorriso de simpatia e um olhar de melancolia, suplica a criança – Tô sem comer desde ontem. – Pego algumas moedas soltas no carro e lhe entrego, enquanto motoristas já buzinam impacientemente. Passo a marcha e sigo à escola. 

Chegando à escola, dou vida a minha rotina: explico sintaxe, morfologia, literatura, algumas discussões com alunos e outros com a diretoria. 

Transcorrem as horas da minha labutação e às seis da tarde, por sorte desta vez, já que sempre há algo para eu resolver, consigo adentrar no carro e retornar a meu apartamento. Em casa, encontro minha filha assistindo a algum programa inútil, tento iniciar uma conversa, todavia apenas gasto energias. Marcus entra pela porta às sete e meia e, pontualmente às oito horas, jantamos todos na tentativa de manter algum hábito de uma família feliz e perfeita. 

Cinco e meia de sexta-feira, estou acordada e me arrumando. Vivo novamente o mesmo dia de ontem e o de amanhã (nada muda, é uma eterna monotonia que me consome a alma). No semáforo, o mesmo menino me pede dinheiro e eu lhe dou, sigo meu rumo ao colégio. 

Já na tarde de sábado, indo até o supermercado, avisto aquele pobre garoto, embebido na sua insignificância, a espera da coloração vermelha do semáforo. Relutantemente, decido dele me aproximar. Ao me ver, com a mão estendida, me suplica algumas moedas, eu as dou e ele agradece. Iria me despedir, porém, algum eu social dentro de mim retrucou: 

- Está com fome, menino? Que tal lanchar no McDonald’s? 

Seus olhos ficaram repletos de um brilho e ele, balbuciando, disse: 

- No, no McDonald’s, tia? ­Não posso, se eu ir não ganho dinheiro no sinal. 

- Deixa disso e vamos. – tentei convencer a criança, que estava assustada e deslumbrada. 

Enfim, ele aceita o convite. Durante o trajeto até a lanchonete, conheço um pouco sobre Gabriel, um menino pobre, sujo e excluído tentando amenizar o sofrimento da família. Comprado o lanche, na verdade, dois: um por causa do brinquedo e outro pelo tamanho, Gabriel comenta nunca ter comido no McDonald’s e, ingenuamente, demonstrando a candura de uma criança de dez anos, fala-me sobre sua história: 

- Tia, eu não tô lá naquele sinal porque quero. Meus irmão e minha mãe precisa de ajuda e eu me viro lá. A gente até morava numa casinha, mas veio os policiais e tirou tudo da gente. 

- Como assim, Gabriel? – fiquei estupefata, contudo, subitamente, lembrei-me da reapropriação de terra ocorrida há, aproximadamente, dois anos. 

- Sim, tia. Os policial vieram e tomaram a nossa casa com muita violência. Mamãe já vinha recebendo cartas que avisava para ela deixar a casa, pois ela não tinha comprado o terreno... Mas, numa segunda-feira, antes do povo lá da comunidade ir pro trabalho, um bando de policial, com, com... qual o nome daquele troço que fala alto? 

- Alto-falante? 

- Isso, com alto-falante, disse que a gente tinha quinze minutos para deixar o barraco antes deles colocar tudo ao chão. As pessoa não gostou disso e começou a brigar com a autoridade. Mamãe falou com um policial, tentando tocar o coração daquele monstro: “Moço, não faça isso. Eu não tenho nada além dessa casa. Pra onde eu vou com minhas criança?”. Ele tava nem aí pra ela e disse: “Só cumpro ordens minha senhora. Não posso fazer nada. Tire suas coisas de dentro da casa e sai da frente, que a terra tem dono.” - houve uma interrupção, pois Gabriel queria degustar de seu sanduíche e de suas batatas fritas, experimentando alguma felicidade enquanto chorava o seu passado não tão distante. 

- Daí, a gente ficou sem onde ir e fomos dormir na rua. Minha mãe se inscreveu para receber ajuda do governo para pagar o aluguel, mas demorou pra caramba essa ajuda. Com essa grana, ficamos numa casa alugada sem nada, porque as coisa (televisão, geladeira, guarda-roupa) foi destruído pelos policiais. A gente tá lá desde então, mas não tem dinheiro. O aluguel é caro e minha mãe tá sem trabalho e eu não tenho pai. O dinheiro da casa vai pra comida e o dono dela está bravo, pois tá atrasado demais o pagamento. A gente tem medo de voltar pra rua e eu ajudo no sinal e minha mãe tá atrás de emprego. – o menino prosseguiu ao outro lanche, porém, dessa vez, um pouco deprimido e envergonhado, e, aos poucos, a fome mitigou seus sentimentos. 

Confesso que fiquei atônita, pois ele falava com tamanha naturalidade que fazia esse seu padecimento parecer trivial e normal. Recordo-me que lágrimas desceram pela minha face sem ele tomar ciência do ocorrido – estava concentrado no seu raro momento infantil. Abruptamente, Gabriel se levanta e pergunta sobre as horas: “Cinco e meia”, respondo-lhe. Sem se despedir, sai da lanchonete apressado, levando suas laranjas para o malabarismo. Como ele, retiro-me do McDonald’s e me dirijo ao supermercado para comprar algumas frutas. Retornado ao apartamento, passo por Gabriel, que está concentrado demais no seu “emprego” para me avistar e perceber que o semáforo ficou verde aos veículos. O motorista da frente grita: 

- Sai da frente, moleque, que a rua tem dono! – ele, ainda meio embaraçado, anda para a calçada à espera do vermelho do semáforo. 




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Poetizando...




O dicionário Aurélio define poema como “1. Obra em verso ou não, em que há poesia (1). 2. Composição poética de certa extensão, com enredo.”. Como poesia, achamos o seguinte: “1. Arte de criar imagem, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados. 2. Composição poética de pouca extensão. 3. Gênero poético. 4. Fig. Caráter que emociona, toca a sensibilidade.”. 

Porém, muito mais que um gênero textual caracterizado pela disposição ou não em versos, que podem ser brancos, livres, metrificados ou rimados, o poema, além de poder apresentar certa sonoridade, pode apresentar o âmago de quem escreve ou representar o mundo em que se vive, dando mais vida às palavras. Palavras estas que dispostas desta forma constituem muito mais que um gênero textual, compõem uma obra de artes escrita, a descrição dos mais belos quadros que já pode o ser humano pintar e idealizar. Por isso, ao vivermos, poetamos, pois o simples fato de viver já é poesia. 

Então, sendo a poesia vida, ela aborda temas diversos: a descrição de um vaso grego, a valorização da natureza, o amor e suas desilusões, feitos heroicos e tudo o que a imaginação humana consegue imaginar, sonhar e devanear. O Amor ou o amor é um tema bastante explorado e eu, amante da Língua Portuguesa, não pude deixar de poetar sobre Ele ou ele (depende de sua concepção).


Soneto de Amor?

Ah, amor meu, meu docinho de coco,
Minh’alma gêmea, meu nenúfar,
Ah, minha coisinha linda, como são belos os dias,
Nos quais, estou a fruir de sua não companhia!

Alegres, vivos e contentes eles são:
Não me deleito do pútrido azul de olhos teus
Nem me delicio do baixo vermelho de boca tua.
Ah, meu bem, não vivo mais os dias de cão!

Agora posso eu sorrir à Lua,
Nestes dias e noites, em que não me procuras.
Ah, meu coração, quanta alegria me faz esta tua não companhia!

Fica e não de mim te aproxima
Nesta vida e na outra (se esta houver),
Para que possa eu sorrir e não mais morrer!


Quando o amor é noite

Amemo-nos nesta sombra que nos põe,
E dancemos nossas sublimes perdições;
E deleitemo-nos de nossos corpos nus
Nesta penumbra alheia nossa que supus.

Se a nós a plácida noite deram,
Que com ela fiquemos, pois!
Mas nem todas as noites plácidas são:
Em algumas, escutaremos os ganidos do cão!
Em outras, emudeceremos nossos corações!

Nesta escuridão, toquemo-nos inseguros,
Porém, vivamos este nosso fulgente amor,
Porém, sintamos a vida nestes dias escuros.

Choremos também nossos prantos,
Comemoremos também as desavenças de nossa união.
Mas não deixemos de contra esta noite lutar,
Pois nosso amor é muito para assim se acabar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tirinhas









Professor é profissão. Educador é missão

Quinze de outubro, Dia do Professor. Uma profissão de suma importância para todos e, infelizmente, vista como uma piada por nossa pátria amada. Não é de se admirar que sejam poucas as pessoas que procuram por cursos de licenciatura, uma vez que o retorno financeiro só advém com longos anos e muito, muito trabalho e estudo...

Pois bem, hoje, 15 de outubro. Mas por que esta data para comemorar esta profissão? Tudo começou ainda no século XIX, mais precisamente em 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), quando D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos teriam suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida. 

Mas, apenas 120 após o decreto é que se possui restrito da primeira comemoração do Dia do Professor. A ideia surgiu em São Paulo, a partir do professor Salomão Becker, que propôs um dia (15/10) para se realizar uma reunião, onde se discutiram, entre outras coisas, problemas da profissão, planejamentos, troca de experiências, etc. A reunião foi bem recebida pela equipe da escola, espalhando-se para outras instituições, até que a data se tornou de grande importância para a estrutura escolar do país. 

Com o tempo, o dia 15 de outubro passou a ser feriado nacional, dando um dia de descanso a esses profissionais que se dedicam para dar um futuro ao mundo.




domingo, 14 de outubro de 2012

Relatividade

Relatividade, Escher (1953)


              Cada ser humano possui sua própria identidade, tanto física quanto psicológica. Portanto, não é de se admirar a existência de diversas perspectivas e opiniões a respeito da realidade, cuja interpretação varia de indivíduo a indivíduo. Essas interpretações diversas, muitas vezes, confrontam-se, gerando atitudes extremistas, que são divulgadas pela mídia, influenciando, pois, as opiniões.
            Semelhante ao que ocorre na obra “Relatividade”, de Escher, a sociedade é uma mescla de distintos pontos de vista: a questão da religião, da orientação sexual, da concepção de beleza, até coisas consideradas “simples”, como a preferência musical. E, imerso nessa colossal diversidade, o homem tenta interpretar e compreender a realidade, julgando perspectivas alheias a partir das suas.
            Dessa forma, constatam-se grandes confrontos, em que somente uma opinião é considerada a verdade absoluta e irrevogável. Nessa existência caótica, surgem as ações extremistas, responsáveis pela morte de inúmeros inocentes, mortos por pensarem diferentemente. Baseando-se numa concepção única e superior, sucederam, por exemplo, assassinatos de frequentadores de escolas judaicas na França e perseguições policiais a homossexuais em Nova Iorque, no final dos anos 60.
            Infelizmente, o meio mais eficiente de se promover a existência harmônica entre as pessoas e seus pensamentos realiza justamente o oposto. Crianças, adolescentes e adultos são constantemente influenciados e controlados pelas “verdades” soberanas da mídia. E, caso um indivíduo se desvie delas, ele será, de uma forma ou de outra, punido pela sociedade.
            Talvez se consiga reverter essa situação turbulenta e se constitua uma sociedade como a pintura de Escher, que demonstra a coexistência de perspectivas distintas em um mesmo espaço, não havendo apenas uma verdadeira. Para isso, é requerido um trabalho árduo e uma mudança completa. A mídia e o governo, através da divulgação e do ensino de ideias igualitárias, desempenham a função de Escher. O único problema e o maior de todos é a falta de Eschers nos dias de hoje.

O envelope

Deixo aqui mais uma de minhas crônicas. :)

O envelope
           
            É estranho como a gente acha que coisas ruins jamais acontecerão conosco. Mas o que nos torna imunes a tais sucessos? Deve ser o nosso próprio medo de admitir a fragilidade de nossa vida e o receio de nosso destino: ser apenas mais uma pessoa neste colossal universo.
            Ainda me lembro (como me esquecer daquilo?) da primeira vez que um simples envelope lacrado continha as rédeas de meu futuro. Estava sentado ao lado de Carlos, o único que soube disso até hoje. Era uma tarde de primavera um pouco quente para os padrões paulistas. Mas para mim parecia um verão escaldante carioca sem as praias e curtições. Carlos me questionava o porquê da demora em abrir aquele papel; o que foi feito já estava feito – os ponteiros do relógio não andam para trás. Porém o medo me dominava e minhas mãos estavam molhadas demais (uma catarata nascia delas). Foi então que peguei o envelope de meu amigo e com o papel fiquei por alguns instantes, os quais me fizeram recordar das semanas anteriores.
            Estávamos Soninha e eu sozinhos em sua casa, estudando para a prova de Matemática marcada para o dia seguinte. O estudo foi apenas um pretexto para ficarmos a sós, pois ambos sabiam nada da matéria e, naquelas situações, um mais um daria sessenta e nove. E foi nisso que resultou esta adição. Largamos os livros e os lápis sobre a cama dela, começando a nos beijar profundamente, arremessando os materiais escolares ao chão. Ela já nua e eu também, ou seja, um mais um não deu dois. Foi aí que me veio à cabeça a questão da camisinha, mas não a tínhamos. Não dei importância e continuei com nossos estudos matemáticos que se transfiguraram em anatomia humana. Sabia o erro cometido, mas não dava para esperar: era agora ou agora – afinal, o que poderia dar errado? Era só ela tomar a pílula do dia seguinte e eu não gozar dentro dela (e foi exatamente isso que fizemos). Bem, já ficava tarde e os pais dela poderiam chegar. Saí do apartamento às pressas, me arrumando no elevador.
            Admito que, enquanto me lembrava, uma onda de voluptuosidade percorreu meu corpo todo. Porém, subitamente, retornei à realidade: eu ali, na praça, com meu colega, segurando um teste de HIV, torcendo para ser negativo assim como o teste de gravidez de Soninha. Esperei por mais algum tempo e, finalmente, abri o envelope. Carlos, ansioso, me perguntava o resultado e eu, feliz, gritava “Negativo, Carlos! Deu negativo de novo!”.

            

sábado, 13 de outubro de 2012

The pilot post


Para esta minha primeira postagem, pensei em alguns de meus poemas, mas acabei optando por uma de minhas crônicas. O motivo da mudança eu não sei – só foi meu inconsciente me gritando. Esperam que curtam. Abraços!


Conversa entre Mãe e Filha nos Tempos Modernos

Mãe: - Não creio que isto realmente esteja acontecendo! Não pode ser! É impossível isto ter acontecido!
Filha: - Me perdoa, mãe. Mas, foi! Me Desculpa!
Mãe: - Não sei se consigo te perdoar! Pior, acho que sou incapaz de olhar para sua cara novamente! Diga para sua mãe que é mentira! Diga, vá!
Filha: - Eu sinto muito, mas não posso falar isso!
Mãe: - A culpa não foi sua, claro! Foi dele! Você não faria uma coisa destas! Ande, me fale o nome do ordinário!
Filha: - Não, mamãe! Sou eu a responsável por tudo!
Mãe: - Não o defenda! Mas, minha filha, sua vida vai se atrasar!
Filha: - Eu dou conta!
Mãe: - Lógico que não! Imagine nas despesas que seu pai e eu teremos, no que nossos amigos dirão... Ai, Deus!
Filha: - Calma! Eu não me importo com o que os outros pensam e cochicham!
Mãe: - Me dá logo o nome do infeliz para eu ter uma conversa! Onde já se viu isso: um professorzinho, a quem eu pago o salário, reprovando minha filhota? Aonde este mundo vai parar?
Filha: - A culpa é só minha, mãe! Fui eu que não estudei!
Mãe: - Eu sou sua mãe e eu estou certa! Qual o nome dele? Diga, senão...
Filha: - Tudo bem! É Marcos Paulo, professor de Física.