domingo, 14 de outubro de 2012

Relatividade

Relatividade, Escher (1953)


              Cada ser humano possui sua própria identidade, tanto física quanto psicológica. Portanto, não é de se admirar a existência de diversas perspectivas e opiniões a respeito da realidade, cuja interpretação varia de indivíduo a indivíduo. Essas interpretações diversas, muitas vezes, confrontam-se, gerando atitudes extremistas, que são divulgadas pela mídia, influenciando, pois, as opiniões.
            Semelhante ao que ocorre na obra “Relatividade”, de Escher, a sociedade é uma mescla de distintos pontos de vista: a questão da religião, da orientação sexual, da concepção de beleza, até coisas consideradas “simples”, como a preferência musical. E, imerso nessa colossal diversidade, o homem tenta interpretar e compreender a realidade, julgando perspectivas alheias a partir das suas.
            Dessa forma, constatam-se grandes confrontos, em que somente uma opinião é considerada a verdade absoluta e irrevogável. Nessa existência caótica, surgem as ações extremistas, responsáveis pela morte de inúmeros inocentes, mortos por pensarem diferentemente. Baseando-se numa concepção única e superior, sucederam, por exemplo, assassinatos de frequentadores de escolas judaicas na França e perseguições policiais a homossexuais em Nova Iorque, no final dos anos 60.
            Infelizmente, o meio mais eficiente de se promover a existência harmônica entre as pessoas e seus pensamentos realiza justamente o oposto. Crianças, adolescentes e adultos são constantemente influenciados e controlados pelas “verdades” soberanas da mídia. E, caso um indivíduo se desvie delas, ele será, de uma forma ou de outra, punido pela sociedade.
            Talvez se consiga reverter essa situação turbulenta e se constitua uma sociedade como a pintura de Escher, que demonstra a coexistência de perspectivas distintas em um mesmo espaço, não havendo apenas uma verdadeira. Para isso, é requerido um trabalho árduo e uma mudança completa. A mídia e o governo, através da divulgação e do ensino de ideias igualitárias, desempenham a função de Escher. O único problema e o maior de todos é a falta de Eschers nos dias de hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário