Relatividade, Escher (1953)
Cada ser humano possui sua própria identidade, tanto física
quanto psicológica. Portanto, não é de se admirar a existência de diversas
perspectivas e opiniões a respeito da realidade, cuja interpretação varia de
indivíduo a indivíduo. Essas interpretações diversas, muitas vezes,
confrontam-se, gerando atitudes extremistas, que são divulgadas pela mídia,
influenciando, pois, as opiniões.
Semelhante
ao que ocorre na obra “Relatividade”, de Escher, a sociedade é uma mescla de
distintos pontos de vista: a questão da religião, da orientação sexual, da
concepção de beleza, até coisas consideradas “simples”, como a preferência
musical. E, imerso nessa colossal diversidade, o homem tenta interpretar e
compreender a realidade, julgando perspectivas alheias a partir das suas.
Dessa
forma, constatam-se grandes confrontos, em que somente uma opinião é
considerada a verdade absoluta e irrevogável. Nessa existência caótica, surgem
as ações extremistas, responsáveis pela morte de inúmeros inocentes, mortos por
pensarem diferentemente. Baseando-se numa concepção única e superior,
sucederam, por exemplo, assassinatos de frequentadores de escolas judaicas na
França e perseguições policiais a homossexuais em Nova Iorque, no final dos
anos 60.
Infelizmente,
o meio mais eficiente de se promover a existência harmônica entre as pessoas e
seus pensamentos realiza justamente o oposto. Crianças, adolescentes e adultos
são constantemente influenciados e controlados pelas “verdades” soberanas da
mídia. E, caso um indivíduo se desvie delas, ele será, de uma forma ou de
outra, punido pela sociedade.
Talvez se
consiga reverter essa situação turbulenta e se constitua uma sociedade como a
pintura de Escher, que demonstra a coexistência de perspectivas distintas em um
mesmo espaço, não havendo apenas uma verdadeira. Para isso, é requerido um
trabalho árduo e uma mudança completa. A mídia e o governo, através da
divulgação e do ensino de ideias igualitárias, desempenham a função de Escher.
O único problema e o maior de todos é a falta de Eschers nos dias de hoje.
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