Um blog sobre as letras e o poder dos textos, criado por um apaixonado por esta nossa Língua Portuguesa. Poemas, crônicas, tirinhas... se misturam num ambiente eletrônico, dando vida às palavras.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Poetizando...
O dicionário Aurélio define poema como “1. Obra em verso ou não, em que há poesia (1). 2. Composição poética de certa extensão, com enredo.”. Como poesia, achamos o seguinte: “1. Arte de criar imagem, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados. 2. Composição poética de pouca extensão. 3. Gênero poético. 4. Fig. Caráter que emociona, toca a sensibilidade.”.
Porém, muito mais que um gênero textual caracterizado pela disposição ou não em versos, que podem ser brancos, livres, metrificados ou rimados, o poema, além de poder apresentar certa sonoridade, pode apresentar o âmago de quem escreve ou representar o mundo em que se vive, dando mais vida às palavras. Palavras estas que dispostas desta forma constituem muito mais que um gênero textual, compõem uma obra de artes escrita, a descrição dos mais belos quadros que já pode o ser humano pintar e idealizar. Por isso, ao vivermos, poetamos, pois o simples fato de viver já é poesia.
Então, sendo a poesia vida, ela aborda temas diversos: a descrição de um vaso grego, a valorização da natureza, o amor e suas desilusões, feitos heroicos e tudo o que a imaginação humana consegue imaginar, sonhar e devanear. O Amor ou o amor é um tema bastante explorado e eu, amante da Língua Portuguesa, não pude deixar de poetar sobre Ele ou ele (depende de sua concepção).
Soneto de Amor?
Ah, amor meu, meu docinho de coco,Minh’alma gêmea, meu nenúfar,
Ah, minha coisinha linda, como são belos os dias,
Nos quais, estou a fruir de sua não companhia!
Alegres, vivos e contentes eles são:
Não me deleito do pútrido azul de olhos teus
Nem me delicio do baixo vermelho de boca tua.
Ah, meu bem, não vivo mais os dias de cão!
Agora posso eu sorrir à Lua,
Nestes dias e noites, em que não me procuras.
Ah, meu coração, quanta alegria me faz esta tua não companhia!
Fica e não de mim te aproxima
Nesta vida e na outra (se esta houver),
Para que possa eu sorrir e não mais morrer!
Quando o amor é noite
Amemo-nos nesta sombra que nos põe,E dancemos nossas sublimes perdições;
E deleitemo-nos de nossos corpos nus
Nesta penumbra alheia nossa que supus.
Se a nós a plácida noite deram,
Que com ela fiquemos, pois!
Mas nem todas as noites plácidas são:
Em algumas, escutaremos os ganidos do cão!
Em outras, emudeceremos nossos corações!
Nesta escuridão, toquemo-nos inseguros,
Porém, vivamos este nosso fulgente amor,
Porém, sintamos a vida nestes dias escuros.
Choremos também nossos prantos,
Comemoremos também as desavenças de nossa união.
Mas não deixemos de contra esta noite lutar,
Pois nosso amor é muito para assim se acabar.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Professor é profissão. Educador é missão
Quinze de outubro, Dia do Professor. Uma profissão de suma importância para todos e, infelizmente, vista como uma piada por nossa pátria amada. Não é de se admirar que sejam poucas as pessoas que procuram por cursos de licenciatura, uma vez que o retorno financeiro só advém com longos anos e muito, muito trabalho e estudo...
Pois bem, hoje, 15 de outubro. Mas por que esta data para comemorar esta profissão? Tudo começou ainda no século XIX, mais precisamente em 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), quando D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos teriam suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas, apenas 120 após o decreto é que se possui restrito da primeira comemoração do Dia do Professor. A ideia surgiu em São Paulo, a partir do professor Salomão Becker, que propôs um dia (15/10) para se realizar uma reunião, onde se discutiram, entre outras coisas, problemas da profissão, planejamentos, troca de experiências, etc. A reunião foi bem recebida pela equipe da escola, espalhando-se para outras instituições, até que a data se tornou de grande importância para a estrutura escolar do país.
Com o tempo, o dia 15 de outubro passou a ser feriado nacional, dando um dia de descanso a esses profissionais que se dedicam para dar um futuro ao mundo.
domingo, 14 de outubro de 2012
Relatividade
Relatividade, Escher (1953)
Cada ser humano possui sua própria identidade, tanto física
quanto psicológica. Portanto, não é de se admirar a existência de diversas
perspectivas e opiniões a respeito da realidade, cuja interpretação varia de
indivíduo a indivíduo. Essas interpretações diversas, muitas vezes,
confrontam-se, gerando atitudes extremistas, que são divulgadas pela mídia,
influenciando, pois, as opiniões.
Semelhante
ao que ocorre na obra “Relatividade”, de Escher, a sociedade é uma mescla de
distintos pontos de vista: a questão da religião, da orientação sexual, da
concepção de beleza, até coisas consideradas “simples”, como a preferência
musical. E, imerso nessa colossal diversidade, o homem tenta interpretar e
compreender a realidade, julgando perspectivas alheias a partir das suas.
Dessa
forma, constatam-se grandes confrontos, em que somente uma opinião é
considerada a verdade absoluta e irrevogável. Nessa existência caótica, surgem
as ações extremistas, responsáveis pela morte de inúmeros inocentes, mortos por
pensarem diferentemente. Baseando-se numa concepção única e superior,
sucederam, por exemplo, assassinatos de frequentadores de escolas judaicas na
França e perseguições policiais a homossexuais em Nova Iorque, no final dos
anos 60.
Infelizmente,
o meio mais eficiente de se promover a existência harmônica entre as pessoas e
seus pensamentos realiza justamente o oposto. Crianças, adolescentes e adultos
são constantemente influenciados e controlados pelas “verdades” soberanas da
mídia. E, caso um indivíduo se desvie delas, ele será, de uma forma ou de
outra, punido pela sociedade.
Talvez se
consiga reverter essa situação turbulenta e se constitua uma sociedade como a
pintura de Escher, que demonstra a coexistência de perspectivas distintas em um
mesmo espaço, não havendo apenas uma verdadeira. Para isso, é requerido um
trabalho árduo e uma mudança completa. A mídia e o governo, através da
divulgação e do ensino de ideias igualitárias, desempenham a função de Escher.
O único problema e o maior de todos é a falta de Eschers nos dias de hoje.
O envelope
Deixo aqui mais uma de minhas crônicas. :)
O envelope
É estranho
como a gente acha que coisas ruins jamais acontecerão conosco. Mas o que nos
torna imunes a tais sucessos? Deve ser o nosso próprio medo de admitir a
fragilidade de nossa vida e o receio de nosso destino: ser apenas mais uma
pessoa neste colossal universo.
Ainda me
lembro (como me esquecer daquilo?) da primeira vez que um simples envelope
lacrado continha as rédeas de meu futuro. Estava sentado ao lado de Carlos, o
único que soube disso até hoje. Era uma tarde de primavera um pouco quente para
os padrões paulistas. Mas para mim parecia um verão escaldante carioca sem as
praias e curtições. Carlos me questionava o porquê da demora em abrir aquele
papel; o que foi feito já estava feito – os ponteiros do relógio não andam para
trás. Porém o medo me dominava e minhas mãos estavam molhadas demais (uma
catarata nascia delas). Foi então que peguei o envelope de meu amigo e com o
papel fiquei por alguns instantes, os quais me fizeram recordar das semanas anteriores.
Estávamos
Soninha e eu sozinhos em sua casa, estudando para a prova de Matemática marcada
para o dia seguinte. O estudo foi apenas um pretexto para ficarmos a sós, pois
ambos sabiam nada da matéria e, naquelas situações, um mais um daria sessenta e
nove. E foi nisso que resultou esta adição. Largamos os livros e os lápis sobre
a cama dela, começando a nos beijar profundamente, arremessando os materiais
escolares ao chão. Ela já nua e eu também, ou seja, um mais um não deu dois.
Foi aí que me veio à cabeça a questão da camisinha, mas não a tínhamos. Não dei
importância e continuei com nossos estudos matemáticos que se transfiguraram em
anatomia humana. Sabia o erro cometido, mas não dava para esperar: era agora ou
agora – afinal, o que poderia dar errado? Era só ela tomar a pílula do dia
seguinte e eu não gozar dentro dela (e foi exatamente isso que fizemos). Bem,
já ficava tarde e os pais dela poderiam chegar. Saí do apartamento às pressas,
me arrumando no elevador.
Admito que,
enquanto me lembrava, uma onda de voluptuosidade percorreu meu corpo todo.
Porém, subitamente, retornei à realidade: eu ali, na praça, com meu colega,
segurando um teste de HIV, torcendo para ser negativo assim como o teste de
gravidez de Soninha. Esperei por mais algum tempo e, finalmente, abri o
envelope. Carlos, ansioso, me perguntava o resultado e eu, feliz, gritava
“Negativo, Carlos! Deu negativo de novo!”.
sábado, 13 de outubro de 2012
The pilot post
Para esta minha primeira postagem, pensei em alguns de meus
poemas, mas acabei optando por uma de minhas crônicas. O motivo da mudança eu
não sei – só foi meu inconsciente me gritando. Esperam que curtam. Abraços!
Conversa entre Mãe e Filha nos Tempos Modernos
Mãe: - Não creio
que isto realmente esteja acontecendo! Não pode ser! É impossível isto ter
acontecido!
Filha: - Me perdoa,
mãe. Mas, foi! Me Desculpa!
Mãe: - Não sei se
consigo te perdoar! Pior, acho que sou incapaz de olhar para sua cara novamente!
Diga para sua mãe que é mentira! Diga, vá!
Filha: - Eu sinto
muito, mas não posso falar isso!
Mãe: - A culpa não
foi sua, claro! Foi dele! Você não faria uma coisa destas! Ande, me fale o nome
do ordinário!
Filha: - Não,
mamãe! Sou eu a responsável por tudo!
Mãe: - Não o
defenda! Mas, minha filha, sua vida vai se atrasar!
Filha: - Eu dou
conta!
Mãe: - Lógico que
não! Imagine nas despesas que seu pai e eu teremos, no que nossos amigos
dirão... Ai, Deus!
Filha: - Calma! Eu
não me importo com o que os outros pensam e cochicham!
Mãe: - Me dá logo
o nome do infeliz para eu ter uma conversa! Onde já se viu isso: um
professorzinho, a quem eu pago o salário, reprovando minha filhota? Aonde este
mundo vai parar?
Filha: - A culpa é
só minha, mãe! Fui eu que não estudei!
Mãe: - Eu sou sua
mãe e eu estou certa! Qual o nome dele? Diga, senão...
Filha: - Tudo bem!
É Marcos Paulo, professor de Física.
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