segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tirinhas!!!!






domingo, 18 de novembro de 2012

Nem Romeu nem Julieta


amou Romeu à Julieta?
Julieta amou Romeu?

amor? Não, não, não há!
Não passa de uma invenção dos poetas;
Poetas de todas as épocas.
Não há amor nem algo parecido!
A tinta da caneta da história é de
Sangue, Morte, Guerras, Terror!
Não há espaço para amor!

amor materno?
Quiçá existe ele!
Somos apenas Bestas
À procura de Carne para nos saciarmos!
Não, nunca houve o amor!
Não, nunca haverá amor, AMOR, Amor ou qualquer coisa parecida.

Não me deixem amar


Que me tapem os olhos!
Que me amordacem a boca!
Que me ensurdeçam os ouvidos!
Que me queimem a pele!
Mas que não me deixem amar!

Açoitem minha carne,
Guilhotinem minha cabeça,
Enlouqueçam minha mente,
Mas não me deixem amar!

Que me matem, esquartejem,
Que me cuspam no túmulo!
Que de tudo façam a meu ser!
Só não me deixem de novo amar!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Forte Maria


Maria chegou à sua casa.

Viu filho drogado,

Filha prostituta,

Marido embriagado.

Maria se revoltou.

Maria, forte Maria, pegou da arma e se matou.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MARIA

Maria chegou à sua casa. 
Viu filho drogado,
Filha prostituta,
Marido embriagado.
Maria se revoltou:
Foi dormir.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Liberté


Assista. Não enxergue.
Compre. Consuma. Abarrote-se.
Siga. Obedeça. Cumpra.
Padronize-se. Iguale-se.
Sirva. Curve-se. Cale-se. Sujeite-se.
Defenda. Honre. Batalhe. Mate.
Trabalhe. Não pense.
Siga. Compre. E apodreça.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Vento da Vida

O vento vai
O vento volta
O vento veda a vida
A vida valoriza a volta
A volta vai
E nesse vai e volta,
A vida cai
E o vento vai, mas não volta.

Superlativo de Inferioridade

Lá vem o homem,
Lá vem o bicho homem!
Acha que tudo sabe,
Acha que tudo pode.
Todavia, apenas morre.
Todavia, somente se mata.
Suicídios graduais,
Suicídios coletivos,
Porém, mesmo assim,
Lá vai o homem, o proprietário da razão,
O ser mais tolo;
Lá vai o homem rumo à destruição!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sai da frente, que tem dono!

Bem, aqui vai mais uma de minhas crônicas. Espero que gostem.

Cinco e meia da manhã: o despertador ressona pelo quarto, lembrando-me de que hoje é mais um dia de ir ao trabalho, tentar transmitir um pouco de conhecimento para os jovens deste país. Pois bem, levanto-me, banho-me e tomo meu desjejum com meu marido, que, como sempre, está atrasado. Entre poucas palavras e mastigações apressadas, compartilhamos do nosso matrimônio. Mas já vão sendo horas e Marcus precisa ir e eu também, porém, antes me despeço de Ana, nossa filha. Descemos ao andar da garagem pelo elevador, sem resquício algum de conversa ou felicidade, nos dirigimos aos carros e, maquinalmente, despedimo-nos com um simples beijo e um “Vejo você mais tarde” insosso. 

Já na Rua Santa Clara, não tão distante de casa, deparo-me com uma cena comum: no semáforo, meninos e meninas, com seus frágeis bracinhos, tentam a arte do malabarismo com os mais variados tipos de objetos e frutas. Terminado o triste espetáculo, um dos garotos se aproxima: 

- Tia, me arruma um trocado. – entre um sorriso de simpatia e um olhar de melancolia, suplica a criança – Tô sem comer desde ontem. – Pego algumas moedas soltas no carro e lhe entrego, enquanto motoristas já buzinam impacientemente. Passo a marcha e sigo à escola. 

Chegando à escola, dou vida a minha rotina: explico sintaxe, morfologia, literatura, algumas discussões com alunos e outros com a diretoria. 

Transcorrem as horas da minha labutação e às seis da tarde, por sorte desta vez, já que sempre há algo para eu resolver, consigo adentrar no carro e retornar a meu apartamento. Em casa, encontro minha filha assistindo a algum programa inútil, tento iniciar uma conversa, todavia apenas gasto energias. Marcus entra pela porta às sete e meia e, pontualmente às oito horas, jantamos todos na tentativa de manter algum hábito de uma família feliz e perfeita. 

Cinco e meia de sexta-feira, estou acordada e me arrumando. Vivo novamente o mesmo dia de ontem e o de amanhã (nada muda, é uma eterna monotonia que me consome a alma). No semáforo, o mesmo menino me pede dinheiro e eu lhe dou, sigo meu rumo ao colégio. 

Já na tarde de sábado, indo até o supermercado, avisto aquele pobre garoto, embebido na sua insignificância, a espera da coloração vermelha do semáforo. Relutantemente, decido dele me aproximar. Ao me ver, com a mão estendida, me suplica algumas moedas, eu as dou e ele agradece. Iria me despedir, porém, algum eu social dentro de mim retrucou: 

- Está com fome, menino? Que tal lanchar no McDonald’s? 

Seus olhos ficaram repletos de um brilho e ele, balbuciando, disse: 

- No, no McDonald’s, tia? ­Não posso, se eu ir não ganho dinheiro no sinal. 

- Deixa disso e vamos. – tentei convencer a criança, que estava assustada e deslumbrada. 

Enfim, ele aceita o convite. Durante o trajeto até a lanchonete, conheço um pouco sobre Gabriel, um menino pobre, sujo e excluído tentando amenizar o sofrimento da família. Comprado o lanche, na verdade, dois: um por causa do brinquedo e outro pelo tamanho, Gabriel comenta nunca ter comido no McDonald’s e, ingenuamente, demonstrando a candura de uma criança de dez anos, fala-me sobre sua história: 

- Tia, eu não tô lá naquele sinal porque quero. Meus irmão e minha mãe precisa de ajuda e eu me viro lá. A gente até morava numa casinha, mas veio os policiais e tirou tudo da gente. 

- Como assim, Gabriel? – fiquei estupefata, contudo, subitamente, lembrei-me da reapropriação de terra ocorrida há, aproximadamente, dois anos. 

- Sim, tia. Os policial vieram e tomaram a nossa casa com muita violência. Mamãe já vinha recebendo cartas que avisava para ela deixar a casa, pois ela não tinha comprado o terreno... Mas, numa segunda-feira, antes do povo lá da comunidade ir pro trabalho, um bando de policial, com, com... qual o nome daquele troço que fala alto? 

- Alto-falante? 

- Isso, com alto-falante, disse que a gente tinha quinze minutos para deixar o barraco antes deles colocar tudo ao chão. As pessoa não gostou disso e começou a brigar com a autoridade. Mamãe falou com um policial, tentando tocar o coração daquele monstro: “Moço, não faça isso. Eu não tenho nada além dessa casa. Pra onde eu vou com minhas criança?”. Ele tava nem aí pra ela e disse: “Só cumpro ordens minha senhora. Não posso fazer nada. Tire suas coisas de dentro da casa e sai da frente, que a terra tem dono.” - houve uma interrupção, pois Gabriel queria degustar de seu sanduíche e de suas batatas fritas, experimentando alguma felicidade enquanto chorava o seu passado não tão distante. 

- Daí, a gente ficou sem onde ir e fomos dormir na rua. Minha mãe se inscreveu para receber ajuda do governo para pagar o aluguel, mas demorou pra caramba essa ajuda. Com essa grana, ficamos numa casa alugada sem nada, porque as coisa (televisão, geladeira, guarda-roupa) foi destruído pelos policiais. A gente tá lá desde então, mas não tem dinheiro. O aluguel é caro e minha mãe tá sem trabalho e eu não tenho pai. O dinheiro da casa vai pra comida e o dono dela está bravo, pois tá atrasado demais o pagamento. A gente tem medo de voltar pra rua e eu ajudo no sinal e minha mãe tá atrás de emprego. – o menino prosseguiu ao outro lanche, porém, dessa vez, um pouco deprimido e envergonhado, e, aos poucos, a fome mitigou seus sentimentos. 

Confesso que fiquei atônita, pois ele falava com tamanha naturalidade que fazia esse seu padecimento parecer trivial e normal. Recordo-me que lágrimas desceram pela minha face sem ele tomar ciência do ocorrido – estava concentrado no seu raro momento infantil. Abruptamente, Gabriel se levanta e pergunta sobre as horas: “Cinco e meia”, respondo-lhe. Sem se despedir, sai da lanchonete apressado, levando suas laranjas para o malabarismo. Como ele, retiro-me do McDonald’s e me dirijo ao supermercado para comprar algumas frutas. Retornado ao apartamento, passo por Gabriel, que está concentrado demais no seu “emprego” para me avistar e perceber que o semáforo ficou verde aos veículos. O motorista da frente grita: 

- Sai da frente, moleque, que a rua tem dono! – ele, ainda meio embaraçado, anda para a calçada à espera do vermelho do semáforo.